Santificar o momento presente - Corrispondenza romana
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Santificar o momento presente

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(Roberto de Mattei, Dies Irae – 14 Junho 2021) Como deve regular-se um cristão nos momentos de prova, de dificuldade, de confusão, aquela profunda confusão intelectual e moral, que é talvez a pior das provas, porque não consegue dar sentido ao próprio sofrimento e ao dos que nos estão próximos?        

Ajuda-nos a encontrar uma solução um belo livro publicado, nestes dias, pela editora Fiducia, com o significativo título Santificar o momento presente. O autor é um sacerdote francês do século passado, o Cónego Pierre Feige (1857-1947), um daqueles homens de quem se esquece o nome, mas de quem permanecem as obras, que oferecem palavras de sabedoria que desafiam os séculos.   

«Santificar o momento presente – explica este autor – é concentrar neste momento, o único que nos pertence, toda a nossa actividade, toda a nossa boa vontade, para passá-lo o mais santamente possível, sem nos preocuparmos inutilmente com o passado que já não existe, nem com o futuro que não é nosso.          

É, para cada um de nós, conformar tão bem a nossa vontade à vontade de Deus que, no momento em que estamos e a cada instante, possamos dizer com toda a verdade: estou onde Deus me quer; Eu aceito e faço o que me pede; aceito-o e faço-o como me pede. O momento presente é sempre, de facto, como um embaixador que nos traz a ordem de Deus, ao Qual tudo é meio, tudo é instrumento de santificação para os seus eleitos» (p. 9). 


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Santificar o momento presente significa viver imersos em Deus e viver imersos em Deus significa olhar de cima para todas as coisas do mundo, procurando em tudo o que acontece a sua mão e não a dos homens. Aqui ajudam-nos as palavras de um grande Papa, Pio XII: «Todos os homens são quase crianças diante de Deus, todos, mesmo os mais profundos pensadores e os mais experientes líderes dos povos. Julgam os acontecimentos com a visão curta do tempo que passa e voa irreparável; em vez disso, Deus olha para eles das alturas e do centro imóvel da eternidade. Eles têm diante dos olhos o estreito panorama de alguns anos: Deus, pelo contrário, tem diante de si o panorama universal dos séculos. Eles ponderam os acontecimentos humanos pelas suas causas próximas e pelos seus efeitos imediatos: Deus vê-os nas suas causas remotas e mede-os nos seus efeitos distantes. Eles param para distinguir esta ou aquela mão responsável em particular; Deus vê tudo como uma complicada e secreta confluência de responsabilidades, porque a sua alta Providência não exclui o livre arbítrio das más e das boas eleições humanas. Eles queriam a justiça imediata e escandalizam-se diante do poder efémero dos inimigos de Deus, dos sofrimentos e das humilhações dos bons; mas o Pai celeste, que na luz da sua eternidade abraça, penetra e domina os acontecimentos dos tempos, como a serena paz de séculos sem fim, Deus, que é a Trindade bendita, cheia de compaixão pelas fraquezas, pelas ignorâncias, pelas impaciências humanas, mas que muito ama os homens para que os seus pecados possam afastá-los dos caminhos da sua sabedoria e do seu amor, continua e continuará a fazer nascer o seu sol sobre os bons e os maus, a chover sobre os justos e os injustos (cf. Mt 5, 45), a guiar os seus passos de crianças com firmeza e ternura, se se deixam conduzir por ele e confiam na força e na sabedoria do seu amor por eles.

O que significa confiar em Deus? Confiar em Deus significa abandonar-se com todas as forças da vontade, amparada pela graça e pelo amor, apesar de todas as dúvidas sugeridas pelas aparências contrárias à omnipotência, à sabedoria, ao amor infinito de Deus. É de crer que nada neste mundo escapa à sua Providência, tanto na ordem universal como no particular; que nada de grande ou de pequeno acontece a menos que seja previsto, desejado ou permitido, sempre dirigido por ela para os seus elevados fins, que neste mundo são sempre fins de amor pelos homens. (…) Por fim, é de crer que a agudeza da prova, como o triunfo do mal, durarão aqui apenas um certo tempo, e não mais; que chegará a hora de Deus, a hora da misericórdia, a hora da santa alegria, a hora do novo cântico da libertação, da exultação e da alegria» (Pio XII, Radiomensagem de 29 de Junho de 1941, in Discorsi e Radiomessaggi, vol. III, pp. 134-135).  

No caos contemporâneo, nas provações da nossa vida, para onde devemos direccionar as nossas esperanças? Para Aquele que nunca abandona quem n’Ele confia, para Deus que nunca abandonará a sua Igreja e as almas que procuram a Verdade e a Justiça nos dias de prova. Não nos devemos esforçar para penetrar num futuro que nos é desconhecido, mas concentrarmo-nos em fazer com a maior perfeição possível o que Deus nos pede no momento presente, como se fosse o último momento da nossa vida. Na verdade, a vida não deve ser um fluxo de acontecimentos que nos oprime, mas uma série de momentos dominados pela correspondência da nossa vontade à vontade divina.      


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Haverá um momento em que, na hora da prova, o abandono da vontade dos homens à de Deus será tão profundo a ponto de mover a Divina Misericórdia a realizar o Reino de Maria, que Nossa Senhora prometeu em Fátima. Só Deus conhece esta hora histórica, a nós é pedido que a desejemos, no momento presente, com cada vez maior intensidade e perfeição.