Plinio Corrêa de Oliveira: minha vocação é fazer a Contra-Revolução - Corrispondenza romana
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Plinio Corrêa de Oliveira: minha vocação é fazer a Contra-Revolução

(Nuno Alvares, Ipco.org – 12 de dezembro de 2019) “Há algo de sublime na pureza, que me parece exceder tudo quanto da pureza se possa dizer. A palavra «imaculado», a palavra «limpo», a palavra «puro», a palavra «alvo», que outras palavras o vocabulário humano possa ter, nenhuma dessas palavras exprime inteiramente qualquer coisa de inconfundível que existe na pureza, mas que nós sabemos que encontraremos no Céu, quando os nossos olhares se detiverem extasiados na Virgem Maria.

“Por outro lado, algo de horroroso, de cavernoso, de tenebroso, algo de execrando na impureza, uma desordem fundamental, uma sordície fundamental, algo de recusável por definição, de rejeitável e de inteiramente rejeitável. E o mesmo se pode dizer do igualitarismo que combate tudo quanto é qualidade, tudo quanto é categoria, tudo quanto é classe, tudo quanto é sublime. igualitarismo quer que todas as coisas sejam chulas, que nenhuma delas tenha distinção, nem elevação, nem beleza. O trivial, o comum, o ordinário, o deformado, o desarranjado, o cacofônico: eis o falso paraíso do igualitarismo”.

Afirmação da Ordem sobre a desordem

“E então, nesse contraste entre a pureza, com todas as suas glórias, e o asco da impureza; no confronto entre a humildade e o igualitarismo, eu sentia vibrar em minha alma todo um universo feito de qualidades, um universo que afirma o ser sobre o não ser, afirma a ordem sobre a desordem, afirma a categoria sobre o que não tem categoria e, embevecido, considera uma série de categorias que vão se quintessenciando umas às outras, subindo, galgando continuamente até ao mais alto, até um ápice que é a categoria das categorias, a perfeição das perfeições, a classe das classes, a distinção das distinções, o contrário absoluto daquilo que, se em termos filosóficos se pudesse corretamente chamar, seria o mal absoluto, e que é uma forma majestosa, grandiosa, régia, uma forma que eleva, mas ao mesmo tempo tão suave, tão amena, tão acolhedora, tão desejosa de conter tudo em seus braços, tão cheia de atração, que nem se sabe bem direito dizer o que é”.

Eu me lembro de algo que sempre me impressionou, e que é a imagem do Cristo Redentor, no alto do Corcovado. Aquela imagem que, nas noites límpidas, nos aparece tão clara, tão luminosa, depois, em noites de nuvens, nos aparece apenas como uma mancha luminosa. Ora se distingue o braço, ora a mão benfazeja, abençoando. De vez em quando se vê apenas o coração, através da névoa. Em seguida aparece a face, enquanto o resto permanece velado. Outra nuvem passa, e são os pés divinos que então refulgem aos nossos olhos.

assim é a história dessa luz na alma de tantos e tantos de nós que aqui estamos. Vêm as trevas, uma mancha de luz fica. Às vezes é algo que aparece, é um olhar; às vezes é um fragmento de luz aqui, lá ou acolá, que emerge com mais clareza dessas nuvens. Estas voltam a cobrir tudo novamente, e resta apenas uma mancha luminosa. Depois sopra o vento, e mais uma vez a luz se faz ver com extraordinária claridade.

“Essa é a nossa história. É uma história que tem muita glória, porque, afinal, esta luz não se apagou inteiramente. É uma história que tem muita tristeza, porque esta luz deveria ter iluminado o mundo inteiro, e não o fez.

“Entretanto, tem-se a impressão de que uma ação progressiva de Nossa Senhora vai aos poucos invadindo as nossas almas. Tem-se a impressão de uma Rainha que vai entrando e vencendo todos os obstáculos; tem-se a impressão de algo que nada consegue conter. Nem nós mesmos, tão miseravelmente poderosos para impedir a ação da graça, nem nós mesmos conseguimos conter”.