O mistério do coronavírus: hipóteses e certezas - Corrispondenza romana
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O mistério do coronavírus: hipóteses e certezas

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(Roberto de Mattei, Dies Irae – 29 de abril de 2020) Um quê de mistério continua a envolver o coronavírus, ou COVID-19, a doença infecciosa que, em poucos meses, se espalhou pelo mundo, assumindo as características de uma verdadeira pandemia. Sobre a natureza deste vírus, existem muitas hipóteses e poucas certezas.      

As hipóteses dizem respeito, principalmente, à origem da doença. O vírus surgiu da natureza, como dizem muitos virologistas, ou foi construído em laboratório, como acreditam outros? E, neste segundo caso, foi fabricado para fins terapêuticos ou para uma guerra biológica? E em que laboratório teria sido fabricado? Chinês ou ocidental? A fuga deste laboratório teria sido fortuita ou deliberada? É evidente que a hipótese da fuga voluntária alimentaria a possibilidade de uma “conspiração” das forças secretas, como tantas outras na história. Se, por outro lado, o vírus surgisse da natureza ou tivesse saído de um laboratório devido a um acidente, dever-se-ia considerar que essas mesmas forças foram surpreendidas pelo acontecimento. Uma das hipóteses mais prováveis​​parece ser a exposta por Steve Mosher, segundo a qual o vírus, produzido na China, saiu, acidentalmente, de um laboratório de Wuhan (LifeSiteNews, 22 de Abril de 2020). Trata-se, precisamente, de uma hipótese, mas as responsabilidades da China comunista, que Mosher destaca bem, são uma certeza.                   

De facto, o Partido Comunista Chinês fez silêncio sobre a propagação do vírus e manipulou o número de infecções e de mortes. Não por acaso, Chen Guangcheng, o activista invisual acolhido como refugiado nos Estados Unidos, depois de ter estado preso na China pelas suas denúncias de abortos e de esterilização forçadas em Shandong, disse que «o Partido Comunista Chinês (PCC) é o maior e mais perigoso vírus do mundo» (AsiaNews, 27 de Abril de 2020).    

Até mesmo um observador muito cauteloso como Paolo Mieli, no Corriere della Sera de 27 de Abril, releva como as autoridades chinesas estão, sem qualquer embaraço, a «adaptar», com a evolução dos tempos, os números de infectados no País. «Como é possível – escreve Mieli – que um País, levado a sério pela Organização Mundial de Saúde que, pela voz do seu director-geral, elogiou o seu “rigor”, faça os números destoarem desta maneira? Além disso, quanto mais o tempo passa, mais cresce o número de pessoas que, em relação às origens do vírus, levantam a dúvida de que tenha acontecido algo suspeito nos laboratórios de Wuhan».     


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Mesmo sobre a natureza do COVID-19, há apenas hipóteses e incertezas. Ainda não se sabe como curar o vírus, mas também ainda não é claro se todas as pessoas que recuperam da infecção adquirem imunidade e quanto tempo é que poderá durar. Os imunologistas dizem que somos confrontados por um vírus “anómalo” que se comporta de maneira diferente dos da mesma família (Corriere della Sera, 25 de Abril); todos anunciam, para o Outono, uma segunda onda da pandemia, mas ninguém é capaz de prever as suas características. Em caso de dúvida, a tendência dos governos é a de prolongar as medidas de bloqueio. Há quem afirme que há uma desproporção entre o número das vítimas do coronavírus e as medidas de “distanciamento social” adoptadas em todo o mundo. Mas a essa objecção, pode-se responder que, se o número de vítimas é baixo, isso se deve justamente às medidas de bloqueio tomadas pelos vários governos. De acordo com um estudo do Deutsche Bank, citado pela AGI a 26 de Abril, a pandemia do COVID-19 está nos últimos lugares da história em termos de taxa de mortalidade. Ainda assim, continua a pesquisa, sem as medidas de contenção que reduziram a taxa de mortalidade para 0,002%, a taxa de mortalidade teria sido de 0,23%, registando 17,6 milhões de vítimas em todo o mundo. O mesmo pode-se dizer para a taxa de contágio. A hipótese pareceria confirmada pelo facto de que, na Alemanha, após o abrandamento do bloqueio, a taxa de contágio subiu rapidamente de 0,7% para 1%, conforme observado pelo Robert Koch-Institut para as doenças infecciosas (La Repubblica, 28 de Abril).   

Há quem acredite que o bloqueio seja um plano dos grandes poderes para poderem exercer o controlo social sobre a humanidade. Entre estes está o filósofo pós-moderno Giorgio Agamben, muito apreciado pela extrema-esquerda, que se questionou, no seu blogue, a 26 de Fevereiro, se o «distanciamento social» será o novo princípio de organização da sociedade. «Tal é ainda mais urgente, já que não é apenas uma hipótese puramente teórica, se for verdade, como se começa a dizer de muitas partes, que a actual emergência sanitária pode ser considerada como o laboratório em que se preparam as novas estruturas políticas e sociais que esperam a humanidade» (Quodlibet, 6 de Abril de 2020).        

Mas qual poderia ser a alternativa à “quarentena” para conter a epidemia? Há quem contraponha aos modelos europeus de gestão da emergência sanitária os de Israel e, sobretudo, de Taiwan, onde, apesar da proximidade geográfica da China, os números das vítimas e do contágio são muito baixos. Todavia, se o perigo que corremos é o da “ditadura digital”, o método de Taiwan, baseado no sistema de rastreio dos infectados (contact tracing), parece ainda mais perigoso do que o bloqueio europeu. Taiwan monitoriza os seus cidadãos, através do uso das novas tecnologias, sem nenhuma consideração pela privacidade dos indivíduos. O mesmo acontece em Israel, onde o sistema de rastreio de contactos foi aplicado duramente, a ponto de provocar a intervenção do Supremo Tribunal.         


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Para outros, o verdadeiro problema não é o controlo social, mas a catástrofe económica. Quais serão, efectivamente, as consequências económicas e sociais da pandemia? Um empobrecimento geral do Ocidente, para favorecer o controlo social pelos “grandes poderes”, ou um colapso do sistema económico-financeiro pelo qual se rege o Ocidente? Neste segundo caso, porém, a manipulação social escaparia aos mesmos grandes poderes que a planearam. Continuamos no campo das hipóteses. Assim, o sociólogo esloveno Slavoj Žižek, no seu eBook Virus. Catastrofe e solidarietà (Ponte alle Grazie, 2020), sustenta que estamos presos numa tríplice crise: sanitária (a epidemia), económica (um golpe duríssimo, independentemente do resultado da epidemia) e psicológica (relativa à saúde mental dos indivíduos).     

O aspecto da guerra psicológica, também nas suas dimensões preternaturais, foi bem destacado, pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, num documento, de 27 de Abril, intitulado A maior operação de engenharia social e de baldeação ideológica da História. A existência de uma grande manobra planetária deixa em aberto, ainda assim, as hipóteses subjacentes. Estamos diante de um plano orquestrado pelas forças secretas? O facto de terem pré-ordenado uma estratégia em vista a uma catástrofe sanitária, já previsível há muitos anos, tal como é hoje uma catástrofe económica, não significa que foram estas forças que desencadearam o processo nem que são capazes de controlar totalmente o acontecimento.     

Diante destas hipóteses, sobre as quais é útil discutir, permanecem as certezas. A primeira é que o cenário mundial mudou objectivamente depois do coronavírus. Para melhor ou para pior? Entramos, mais uma vez, no campo das hipóteses preditivas. Žižek afirma que para a Revolução comunista, da qual é entusiasta, neste momento «tudo é possível, em qualquer direcção, desde a melhor até à pior». Isto serve para a Revolução, mas também para a Contra-Revolução, que a ela se opõe. Existem, certamente, amplas e complexas manobras revolucionárias para explorar a situação, e esta é uma outra certeza. Mas dizer que estas manobras tenham sucesso é uma hipótese. Por outro lado, há outra certeza: o facto de que, diante da pandemia, os homens que governam a Igreja se mostraram ausentes, ou até mesmo cúmplices das estratégias anticristãs.


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O que deveria fazer a Igreja, e o que deveriam fazer todos os católicos, diante de uma pandemia como a que nos atinge? Dever-se-ia recordar que todos os males da humanidade têm a sua origem no pecado, que o pecado público é mais grave que o pecado individual e que Deus pune os pecados sociais com os flagelos das doenças, das guerras, da fome e dos desastres naturais. Se o mundo não se arrepende, e particularmente se os homens da Igreja se calam, os castigos que, no início, são infligidos de maneira branda, estão destinados a agravar-se cada vez mais, até à aniquilação de nações inteiras. Esta é a essência da mensagem de Fátima, que se conclui, conquanto, com a consoladora certeza do triunfo do Imaculado Coração de Maria.