Ecce ascendimus Jierosolymam - Corrispondenza romana
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Ecce ascendimus Jierosolymam

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(Roberto de Mattei, Dies Irae – Março 30, 2021) «Ecce ascendimus Jierosolymam»; «Vinde, subamos a Jerusalém». São estas as palavras que Jesus dirige aos Apóstolos quando, no fim do retiro passado com eles depois da ressurreição de Lázaro, sai da cidade de Efrém para se encaminhar em direcção a Jerusalém.        

“Ecce”: é chegado o momento em que a missão do Redentor deve encontrar o seu cumprimento; “ascendimus”: o caminho a percorrer, que é o da Cruz salvífica, é em subida e contrapõe-se ao caminho largo e descendente da perdição eterna; “Jierosolymam”: a meta é Jerusalém, a cidade santa onde, pelas tantas razões que explica São Tomás, convinha que Ele sofresse a sua Paixão (Summa Theologiæ, q. 46, a. 10).         

Chegou o acontecimento supremo a que sempre dirigiu os seus pensamentos, e Jesus, que conhece o lugar, a hora e as circunstâncias deste acontecimento, precede, com passo decidido, os Apóstolos, que o seguem estupefactos e temerosos. «Erant autem in via ascendentes Jerosolymam: et præcedebat illos Jesus, et stupebant, et sequentes timebant» (Jo 11, 54; Mc 10, 32). Jesus avança como um guerreiro que marcha para a batalha, porque está decidido a beber até à última gota o cálice da sua Paixão. Ele parece aquele «sumo capitão general dos bons» descrito por Santo Inácio (Exercícios Espirituais, n.º 138); um comandante nobre e real, que reúne, sob o seu estandarte sangrento, todos aqueles que querem participar no grande mistério da Paixão e da Ressurreição: «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, que o vão condenar à morte. Hão-de entregá-lo aos pagãos, que o vão escarnecer, açoitar e crucificar. Mas Ele ressuscitará ao terceiro dia» (Mt 20, 17-18; Mc 10, 33-34; Lc 18, 31-33).   

Mas os Apóstolos «nada disto entenderam. Aquela linguagem era incompreensível para eles e não entendiam o que lhes dizia» (Lc 18, 34). No entanto, não é a primeira vez que Jesus lhes revela estes mistérios. Depois que Pedro, em Cesareia, confessou que Jesus era «o Messias, o Filho de Deus vivo», o Evangelho refere-nos que «Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar» (Mt 16, 19). Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!», mas Jesus respondeu a Pedro: «Afasta-te de mim, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens» (Mc 16, 23).       


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Os Apóstolos não tinham o sentido de Deus, porque não entendiam o sentido do sofrimento e esperavam que Jesus escapasse das mãos dos Fariseus, como havia feito noutras ocasiões, enquanto o procuravam para matá-lo. Ainda lhes faltava aquela que São Luís Maria Grignion de Montfort define «a sabedoria da Cruz»: «aquela ciência saborosa e experiencial da verdade que nos faz ver, à luz da fé, os mais ocultos mistérios, entre os quais o da Cruz» (Carta Circular aos Amigos da Cruz, n.º 45).      

Quando Jerusalém, a cidade das relíquias da Paixão, foi ocupada pelos infiéis, a meditação sobre as palavras de Jesus: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me» (Mt 16, 24) moveu o Beato Urbano II a apelar à Cristandade para libertar o Santo Sepulcro. Nasceu, assim, a maior epopeia cristã da história: o movimento das Cruzadas. “Ecce ascendimus Jerosolymam”, exclamou Godofredo de Bulhão, na madrugada de 7 de Junho de 1099, quando as cúpulas da Cidade Santa se revelaram aos olhos dos guerreiros cristãos.
O nome de Jerusalém foi o grito de guerra dos quarenta mil peregrinos armados que, a 15 de Julho, libertaram a Cidade Santa do domínio sacrílego dos Muçulmanos.     

Mas Jerusalém, antes de ser uma cidade terrestre, é a cidade em que se cumpre o mistério da Cruz para cada cristão. Do alto dos Céus, escreve São Luís Maria Grignion de Montfort, o olhar de Deus não contempla os poderosos na terra, mas «um homem que, por Deus, se bate com a sorte, o mundo, o inferno e ele próprio, um homem que carrega alegremente a sua cruz» (Carta Circular aos Amigos da Cruz, n.º 55).         


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Subir a Jerusalém é, neste sentido, um programa de militância católica. “Ya estamos aquí. Ecce ascendimus Hierosolymam”, afirmou o Beato Florentino Asensio Barroso, nomeado, por Pio XI, Bispo titular de Epiro e Administrador Apostólico de Barbastro, quando, a 16 de Março de 1936, entrou na sua Diocese, onde três meses depois foi torturado, castrado e morto por milicianos anarquistas e comunistas. As suas palavras resumem as de todos aqueles que, na história, escolheram e escolherão combater por Jerusalém contra a Revolução, aceitando as ofensas, as calúnias, as perseguições e, se necessário, a morte, que Jesus pede pelo seu amor.      

Jerusalém, como explica Santo Agostinho, é, em sentido espiritual, a Igreja (Cidade de Deus, 17, 16, 2), objecto das perseguições revolucionárias nos séculos XX e XXI, mas também de um processo de autodemolição que agrava a sua Paixão. Em Fátima, a 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora anunciou que, se o mundo não se convertesse, a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições contra a Igreja. «Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará».  

Diante deste cenário, que é o do nosso tempo, o militante católico deve estar disposto a fazer o holocausto da sua vida com a mesma tranquila determinação com que Nosso Senhor subia a Jerusalém. O triunfo do Imaculado Coração de Maria será a hora da ressurreição histórica da Cristandade, prefiguração do triunfo da Jerusalém eterna nos Céus.


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«E transportou-me, em espírito, a uma grande e alta montanha e mostrou-me a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus. Tinha o resplendor da glória de Deus: brilhava como pedra preciosa, como pedra de jaspe cristalino» (Ap 21, 10-11).

Jerusalém significa “visão de paz”, a paz é a tranquilidade na ordem e Jerusalém é a cidade imortal dos anjos e dos santos, onde a ordem divina triunfa na sua imutável perfeição.

Somos cidadãos do Céu, recorda-nos, muitas vezes, São Paulo (Filipenses 3, 20; Efésios 2, 18-19; Hebreus 13, 14), e a Jerusalém celeste é a pátria que aguarda os eleitos no fim da sua vida terrena. Ecce ascendimus Jerosolymam serão as palavras que, com infinita doçura, Nossa Senhora dirigirá aos seus devotos na hora da sua morte, para os introduzir na feliz eternidade do Paraíso.